Escrevi isso em 2005, quando morei durante alguns meses em Sete Lagoas… Foi redigido de forma despretensiosa, apenas para minimizar o ócio.
A Expectativa era outra…
Em diversas situações as pessoas fazem perguntas tão prontamente certas de que ouvirão algo positivo como resposta que ao ouvirem o contrário levam um enorme susto.
Isso acontece muito comigo. Lembro-me de alguns casos mais recentes…
O último deles, foi em uma locadora de dvd’s, em Sete Lagoas. Estava voltando do trabalho e como o tempo estava chuvoso, usei uma mochila para transportar minhas coisas. Resolvi entrar em uma locadora, como disse, a fim de ver as novidades e escolher alguma. Entrei com a mochila nas costas, posto que seu formato foi criado para isso e esse é, efetivamente, seu jeito mais cômodo de ser transportada. Já estava há uns dois minutos dentro da loja, com o filme em mãos, pronto para me dirigir para o balcão para retirá-lo quando uma moça, bastante educada e gentil, se aproximou e disse:
- O senhor se importa de deixar sua mochila no setor de conveniências?
Ao que, com toda educação e delicadeza que me são peculiares, respondi:
- Importo, sim.
Notei que a moça não sabia, absolutamente, como reajir. Sua certeza de ouvir uma resposta positiva, dizendo que não me importava e que faria isso com muito gosto, foi jogada por terra. Suas convicções ruiram…
Fui obrigado a esclarecer que estava com muita pressa e que já estava de saída, pois já havia escolhido o filme, para diminuir um pouco a insegurança daquela criatura perante todas as suas certezas frente ao resto de sua vida…
Noutras ocasiões faço isso com o gosto mesmo de obrigar que meus interlocutores percebam certas coisas. Um caso desses ocorreu na cidade mineira de Aimorés, onde estava a trabalho. Após almoçar estava aguardando, pacientemente, minha vez de ser atendido em uma fila que se formara em frente ao caixa do restaurante self-service. Notei que um casal que havia terminado de almoçar se levantara e estava se dirigindo para a saída. Ao passar pelo caixa, o rapaz disse para a moça para fazer o pagamento, enquanto ele buscava o carro.
Como a moça ficara imediatamente atrás de mim na fila, já fui logo pensando: isso ainda vai dar problema…
Dito e feito. A moça não se continha em si, de tanta pressa. A fila andava lentamente, mas à minha frente haviam apenas duas pessoas. Enfim, nada extraordinário. Pouco antes de chegar a minha vez, quando o cliente da frente já estava sendo atendido, o rapaz parou o carro em frente ao local e buzinou. Com este simples gesto, ele já ganhou minha total antipatia. E mais uma vez eu pensei: isso ainda vai dar problema…
Assim, quando o cliente da frente terminou de ser atendido, vem para o meu lado, toda lépida e fagueira, já se adiantando, a moça que estava depois de mim na fila e diz :
- Eu posso passar na sua frente, rapidinho?
Ao que eu, bastante bem humorado como de costume, prontamente lhe respondo com todas as letras e em firme entonação:
- Não!
E a deixei ali, com aquela cara de tacho, como dizemos aqui no interior das Minas Gerais, sem saber o que fazer e muito menos para onde ir…





1 resposta Até agora ↓
Carlos // 15 Novembro, 2007 às 6:02 pm
Cara se tem um texto autobiográfico, esse o é. O que Vc descreve é a sua cara.E acho que Você esta corretíssimo devemos sempre falar o que pensamos e quando isso é feito sem as frescurites pequeno burguesa podem assustar a princípio, mas e dai.
Da minha parte continuo sempre tentando falar o que penso, mesmo pagando as vezes por isso, no entanto infelizmente a frescurites pequeno burguesa ainda mim ataca e tento as vezes o rodeio e o floreio. Mas progressivamente estou ficando mais direto.
Muito bom essas suas reflexões.