- Cala a boca, gordinho! – Insistia o soldado.
Já irritado, acabou mandando que o dito cujo bebum se dirigisse para a sua casa pela Juca Cândido e que Warley fosse para a sua através da Ouro Preto, paralela à outra. Bastante contrariado, Warley se pôs a andar lentamente, olhando para trás sempre, ocasiões em que o soldado, com um riso cínico no rosto, dizia:
- Anda logo, gordinho!
Passado algum tempo, que não sei precisar, a viatura policial ressurgiu tão rápida quanto da primeira vez. O Tenente mandou que Nivaldo descesse rapidamente, enquanto o soldado já entrava. Com a mesma rapidez, saíram novamente em direção à Ouro Preto, pela Quintino Bocaiúva, em disparada, com certeza para atender a algo que, talvez, merecesse realmente a atenção dos mesmos. Quanto a nós, estávamos livres para irmos embora, finalmente.
Nivaldo, agora um pouco menos alcoolizado, explicou que havia narrado o acontecido ao Delegado de plantão, mostrando seu ferimento. Por sua vez, o delegado mandou deixar o Cabo “de plantão” no xilindró até que seus ânimos se acalmassem, o que só deve ter ocorrido pelo meio da manhã que se aproximava cada vez mais.
Rimos um pouco e Djalma se dirigiu à sua casa, que ficava naquele mesmo quarteirão.
Sobramos Nivaldo, Russifrank e eu, uma vez que o soldado havia mandado Warley ir embora. Começamos a subir a Juca Cândido para fazermos o mesmo… A chuva havia aumentado sua intensidade e já estávamos bem molhados a esta altura. No entanto, a sensação de liberdade, após tanta tensão, era indescritível. Estávamos, literalmente, com a alma lavada…
Contudo, como a carne é fraca e a natureza humana vingativa, sem que dissemos nada uns aos outros, pegamos, cada qual, uma pedra de calçamento solto na rua, de frente à casa da corja de “bebuns” e, sem pestanejar, arremessamos, certeiramente, ao telhado daquela casa cujos moradores nos proporcionaram tão desagradáveis momentos.
O som do telhado se partindo soou como música em nossos ouvidos!
Corremos, sorrindo e molhados! Ao contrário do que disse Machado de Assim em um de seus contos, bem conosco mesmo e mal com os homens! Mas, nas nuvens…!!!
- Uoooouu!




