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Sol de primavera

30 Setembro, 2008 · 1 Comentário

Alvorecer (clique para ampliar)

Alvorecer (clique para ampliar)

A primavera chegou, e com ela um dia visivelmente mais longo. Não, óbvio, o dia não tem mais que 24 horas, conforme se convencionou medir. Refiro-me ao tempo de luz em oposição ao tempo de breu. E é por isso que os espertos capitalistas inventaram o “horário de verão”, como sempre por motivos econômicos.

De minha janela, contradições da vida, já não posso mais aproveitar a primeira claridade da manhã. Se até uma ou duas semanas atrás o sol nascia um pouco mais para noroeste, agora ele caminhou um pouco mais para leste e saiu de trás de um imenso prédio em minha vizinhança que o cobria, vindo dar, desde os primeiros raios, diretamente em minha mesa de trabalho.

Despontando com intensidade (clique para ampliar)

Despontando com intensidade (clique para ampliar)

Tenho com o sol uma relação unilateral de respeito e admiração, mas com a devida distância imposta não apenas por nossas posições diferenciadas no Cosmo, como pelo fato inexorável de que suar é uma das coisas que mais abomino nesta vida! Admiro-o com os olhos, principalmente quando desponta no horizonte, seja ao alvorecer ou, ainda mais, ao entardecer, em que o lusco-fusco nos surpreende com suas cores. Nos outros momentos prevalece apenas o respeito e a devida distância.

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Rio Tocantins, algumas imagens

28 Setembro, 2008 · 4 Comentários

Algumas modestas fotografias às margens do rio Tocantins, em Marabá, PA, feitas em um final de tarde de fevereiro deste ano.

Para começar, porém, uma imagem de satélite para registrar onde as fotos foram feitas:

Rio Tocantins, na altura de Marabá - PA.

Rio Tocantins, na altura de Marabá - PA.

A foto área abaixo foi feita quando estava chegando. Observe a confluência do rio Itacaiúnas com o Tocantins, na altura da chamada Velha Marabá. Para quem não sabe, Marabá é dividida em três: Velha Marabá (também chamada de Marabá Velha ou Marabá Pioneira), onde as fotos 2 a 7 foram feitas e o município iniciou seu processo de formação; Nova Marabá, porção mais a leste na imagem acima, onde desemboca a ponte rodoferroviária e, por fim, Nova Cidade, localizada mais ao sul, na outra margem do Itacaiúnas. Ano a ano a região da Velha Marabá, sobretudo onde foram feitas as fotos 2, 3 e 4, inunda e deixa diversas pessoas desabrigadas.

Rio Itacaiúnas na confluência com o rio Tocantins, em Marabá - PA.

Em ângulo um pouco diferente ao da imagem de satélite anterior, a confluência dos rios Itacaiúnas e Tocantins, em Marabá - PA.(clique para ampliar)

1 - Ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins, em Marabá - PA. (clique para ampliar)

Fotografia nº 1: Aspecto da ponte rodoferroviária da Estrada de Ferro Carajás, na qual os veículos trafegam em mão de trânsito inglesa. Ao centro se encontra a linha férrea, sendo que nesta foto o composição estava iniciando a travessia, carregada com o minério de ferro de Carajás.

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Casas em palafita.

2 - Casas em palafita. (clique para ampliar)


Fotografia nº 2: Confluência exata do rio Itacaiúnas com o rio Tocantins. Ano após ano esta área é alagada, as pessoas ficam desabrigadas durante algum tempo e depois retornam.

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Crianças brincando.

3 - Crianças brincando. (clique para ampliar)

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Fotografia nº 3: Crianças brincam na porta de casa. O rio Tocantins está logo ali, a menos de 10 metros.

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Jovem grávida lavando vazilhas. (clique para ampliar)

4 - Jovem grávida lavando vasilhas. (clique para ampliar)

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Fotografia nº 4: Moça, aparentando não mais de 15 ou 16 anos, grávida, lavando vasilhas no rio.

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Fim de tarde no rio Tocantins.

5 - Fim de tarde no rio Tocantins. (clique para ampliar)

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Fotografia nº 5: Fim de tarde às margens do rio Tocantins. A luz começa a diminuir e proporciona um espetáculo de cores.

Um vôo para a água do Tocantins.

6 - Um vôo para a água do Tocantins. (clique para ampliar)

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Fotografia nº 6: Jovens se divertem pulando do cais. Nesta época o rio Tocantins estava bem cheio, mas longe dos níveis que provocam enchentes.

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Fotografia nº 7: O sol da adeus ao dia, numa profusão de cores chamada lusco-fusco.

Pôr do sol no rio Tocantins.

7 - Pôr do sol no rio Tocantins. (clique para ampliar)

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Sorriso de criança

2 Janeiro, 2008 · Deixe um comentário

Não há nada que pague a espontaneidade do sorriso de uma criança.

Luana
Stela

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Papagaio com Congado

25 Dezembro, 2007 · Deixe um comentário

soltando papagaio

Papagaio parado, empoeirado no canto, há mais de dois anos.
Criança feliz quer vê-lo voar!
Subimos a Serra de Santa Helena, antevéspera de natal.
Lá chegando, surpresa!
Guarda de Congo a tocar/cantar!criança congadeira
Papagaio e Congado: sabor de infância…
É preciso fotografar, filmar, ainda que toscamente!
Êeeeh viva, viva!
Viva!
Sete Lagoas e sua gente…

vista parcial de sete lagoas

Congado:

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Fundação Zoobotânica de Marabá

27 Novembro, 2007 · 2 Comentários

A Fundação Zoobotânica de Marabá, projeto da sociedade civil que conta com o apoio de parte do empresariado local e de órgãos governamentais dos três níveis, realiza um importante trabalho na região. Eles recebem em sua sede, importante porção de mata nativa em meio à grande devastação para formação de pastagens e lavouras que se transformou esta região sudeste do Pará, animais capturados por terceiros e apreendidos pelos órgãos ambientais. Este animais recebem cuidados especiais para serem reintroduzidos ao seu habitat natural. Além disso, a Fundação Zoobotânica desenvolve um Programa de Educação Ambiental (PEA) junto ao público escolar do município. Além da grande transformação regional decorrente do Projeto Grande Carajás (fins dos anos 1970 em diante), da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), esta região de expansão de fronteira agropecuária foi aberta em plena Floresta Amazônica, ao longo do século XX, na expressão de um analista, “pela pata do boi”. E de fato ainda hoje esta é uma das principais atividades econômicas do município, além da prestação de serviços (por ser pólo regional) e do setor secundário, por meio, sobretudo, de guseiras que utilizam uma ínfima parte do minério produzido pela CVRD . Aliás, esta última característica resulta no efeito perverso de intensificar a derrubada da floresta, visto que tais indústrias utilizam, em sua maioria, carvão ilegal feito a partir de mata nativa, muitas vezes através de pequenos produtores em condições insalubres de trabalho.

 

Araras em recuperação

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Consciência Negra

20 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

José Divino

Saí de casa hoje cedo, como de costume, com a máquina fotográfica na mochila. Quando estava quase chegando ao ponto de ônibus o mesmo passou. O próximo só em 15 ou 20 minutos. Sentei no passeio, à sombra, do outro lado da rua e já ia pegar algo para ler quando chega um senhor negro e se põe a cantar, revirando uma pilha de sacolas plásticas de lixo amontoado na rua, aguardando o serviço de coleta.

José Divino José Divino
José Divino José Divino

Belo Horizonte, 20 de novembro de 2007 – Dia da Consciência Negra

Ele, por ele mesmo:

“Meu nome é José Divino dos Santos. Tenho 52 anos e tem 8 que vivo disso aqui.”

“Eles perguntam se sou aposentado. Se fosse ficava lá em casa, quietinho.”

“Trabalhava com obras. Depois que passei dos 40 não me deram trabalho mais.”

“Já tem 8 anos que vivo disso. Eles não dão nada para a gente. Se peço, acham ruim. Mas, jogam tudo fora. Inclusive coisas boas.”

Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência…

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Contra o vento [01]

19 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

O tempo está passando com tal velocidade que o ideal seria que o dia tivesse umas 30 horas. Está aí! Bem que o Unibanco poderia financiar uma grande campanha, com todos os lobies e distribuição de propina que isso implica, para que os dias passem a ter 30 horas.

dia
Belo Horizonte-MG, 19 de Novembro de 2007

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Diferentemente igual

17 Novembro, 2007 · 2 Comentários

“É preciso que tudo mude para que tudo permaneça como está”. Tomasi di Lampedusa que me perdoe, por citar assim, tão fora de contexto e com um outro sentido, sua clássica frase de “O Leopardo”, mas é deste modo que vejo Sete Lagoas pela janela de meu velho quarto, na casa de meus pais. Aliás, esta frase tem diversas traduções. Ou seja, até ela teve que mudar para continuar como sempre esteve.

Passados pouco mais de 14 anos e meio que fui para Belo Horizonte, muita coisa mudou por aqui. Mudou a cidade, mudaram as pessoas da cidade. Normal. Mas, meus sentimentos em relação a isso se mostram, há longa data, enormemente confusos e perturbadores, para dizer o mínimo.

sete lagoas
Sete Lagoas-MG, 06 de Abril de 2007

Já não me reconheço tanto em Sete Lagoas, senão por uma vaga lembrança. Suas periferias, hoje, são bem mais distantes, reflexo da expansão urbana. Mancha urbana maior, população maior, claro. O censo demográfico de 1991 informava um total de 144.014 habitantes, enquanto que o de 2000 já apontava para 184.871 e a recentíssima contagem da população, de 2007, acaba de contabilizar 217.506 habitantes, tornando-a a 12ª maior cidade mineira em número de habitantes e 116ª do Brasil. Embora isso não seja vantagem alguma, muito antes pelo contrário, ocorreu, portanto, um significativo crescimento demográfico de 64,46% neste período de 16 anos.

A péssima gestão da coisa pública, não obstante, ainda impera. Políticos corruptos, interessados em benefícios monetários pessoais e imediatos, desviam recursos de forma inescrupulosa e vil. Tudo como dantes.

A maioria de meus colegas de escola não mais conheço ou reconheço. Muito raramente cruzo com algum pelo centro comercial da cidade, mas a eterna timidez, associada a uma estratégica falta de memória para nomes (sim, pois quando faço trabalho de campo sou capaz de memorizar quase todos os nomes e sobrenomes) faz com que não me aproxime. Pelo contrário, tento mesmo é desviar do caminho na maioria das vezes. Sempre há aqueles que não fazemos questão de rever, e sei que a recíproca é verdadeira. Vez ou outra passo a vergonha e o constrangimento de ser abordado por algum e não conseguir lembrar não só do nome como de quando, como e porque o conheci. Andando pelas ruas noto que as pessoas de hoje são tão diferentes! Tem dia que não reconheço nenhuma.

Mas, o coração da cidade permanece, em grande medida, o mesmo do ponto de vista arquitetônico. Com exceção da estação ferroviária, que virou museu e sua linha uma grande avenida, e da região onde antes ficava o Sete Lagoas Tênis Clube, que chamávamos de “praça de esportes”, na qual hoje se encontra efetivamente uma grande praça, mas não mais de esportes, tudo permanece praticamente estático. Sete Lagoas é uma cidade que cresce pelas bordas, como deve ocorrer em outras tantas. Aliás, cresce por uma única borda, sentido oeste. É a nova marcha para o oeste. Mas, o cerne perdura, ou pelo menos se altera bem mais lentamente, o que não é ruim. Concordo com Halbwachs que os objetos e sua disposição proporcionam lembranças familiares, que a estabilidade é importante para o equilíbrio mental e que os grupos sociais mudam com uma velocidade bem maior que as cidades, na maior parte das vezes. Isso é importante para a sanidade mental de todos.

Meus amigos, aqui, ainda são os mesmos, como diria Belchior, inspirado nele mesmo. Os ídolos são outros, mas isso não vem ao caso. Alguns casaram, descasaram. Ou não. Alguns tiveram filhos, outros terão em breve. Quase todos permanecem diferentemente iguais, como a cidade. Nossos antigos costumes, como jogar futebol, baralho, sinuca, tudo regado a bastante cerveja e amizade, são para eles uma agradável rotina. Para mim, quase sempre uma vaga e saudosa lembrança. Pura nostalgia. Trabalham com dignidade e persistência, quase sempre em serviços braçais, pouco cerebrais, que lhes garante uma vida material simples, precisa, exata, sem abundância ou falta.

amigos
Sete Lagoas-MG, 06 de Abril de 2007

Em comum, hoje, temos o passado. E isso nos prende com a força que este passado teve e tem em nossas vidas. Somos amigos, irmãos. Apesar disso, nunca, isto mesmo, nunca, nesses pouco mais de 14 anos e meio, recebi uma visita sequer de um deles. Se vou a Sete Lagoas, porém, e deixo de encontrá-los, todos reclamam. Deixam, quando possível, outros compromissos para nos encontrarmos unicamente para contar os mesmos velhos e bons casos de sempre. Eles são o nosso elo. Além de, claro, as cervejas, de ontem e de hoje.

A probabilidade de que algum deles venha a ler estas tortas linhas é praticamente nula. O acesso à informática, e mais ainda à rede mundial de computadores, passa longe de seus horizontes. Consideram algo muito complexo, além de um luxo desnecessário.

E assim fico daqui, da janela de meu velho quarto, olhando as luzes da cidade e pensando no quanto tudo aqui está diferentemente igual.

pela janela
Sete Lagoas-MG, 17 de Novembro de 2007

 

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Ouro de Paracatu

15 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Lusco fusco em Paracatu

Paracatu-MG, 1º de Março de 2007

Dia e noite se encontram nas montanhas de Paracatu. Isso vale ouro.

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Não possuía os prazos

15 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Pôr do Sol na Comunidade de Pontinha

Comunidade de Pontinha, Paraopeba-MG, 16 de Setembro de 2007

De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp’ro não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem prequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular idéia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobre cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso…
(Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa)

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