Saí de casa hoje cedo, como de costume, com a máquina fotográfica na mochila. Quando estava quase chegando ao ponto de ônibus o mesmo passou. O próximo só em 15 ou 20 minutos. Sentei no passeio, à sombra, do outro lado da rua e já ia pegar algo para ler quando chega um senhor negro e se põe a cantar, revirando uma pilha de sacolas plásticas de lixo amontoado na rua, aguardando o serviço de coleta.
Belo Horizonte, 20 de novembro de 2007 – Dia da Consciência Negra
Ele, por ele mesmo:
“Meu nome é José Divino dos Santos. Tenho 52 anos e tem 8 que vivo disso aqui.”
“Eles perguntam se sou aposentado. Se fosse ficava lá em casa, quietinho.”
“Trabalhava com obras. Depois que passei dos 40 não me deram trabalho mais.”
“Já tem 8 anos que vivo disso. Eles não dão nada para a gente. Se peço, acham ruim. Mas, jogam tudo fora. Inclusive coisas boas.”
Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência…
Torresmo à milanesa
(Adoniran Barbosa e Carlinhos Vergueiro)
O esquadrão da obra bateu onze hora
Vam s’embora, joão!
Vam s’embora, joão!
O esquadrão da obra bateu onze hora
Vam s’embora, joão!
Vam s’embora, joão!
Que é que você trouxe na marmita, dito?
Trouxe ovo frito, trouxe ovo frito
E você beleza, o que é que você trouxe?
Arroz com feijão e um torresmo à milanesa,
Da minha tereza!
Vamos almoçar
Sentados na calçada
Conversar sobre isso e aquilo
Coisas que nóis não entende nada
Depois, puxá uma páia
Andar um pouco
Pra fazer o quimo
É dureza joão!
É dureza joão!
É dureza joão!
É dureza joão!
O mestre falou
Que hoje não tem baile não
Ele se esqueceu
Que lá em casa não sou só eu
Canto de Xangô
(Baden Powell e Vinícius de Moraes)
Eu vim de bem longe
Eu vim, nem sei mais de onde é que eu vim
Sou filho de Rei
Muito lutei pra ser o que eu sou
Eu sou negro de cor
Mas tudo é só o amor em mim
Tudo é só o amor para mim
Xangô Agodô
Hoje é tempo de amor
Hoje é tempo de dor, em mim
Xangô Agodô
Salve, Xangô, meu Rei Senhor
Salve, meu Orixá
Tem sete cores sua cor
Sete dias para gente amar
Mas amar é sofrer
Mas amar é morrer de dor
Xangô meu Senhor, saravá!
Me faça sofrer
Ah, me faça morrer
Ah, me faça morrer de amar
Xangô, meu Senhor, saravá
Xangô Agodô