Acho tudo muito artificial nesta época do ano.
Não só porque neva 10 minutos por dia em pleno verão paulistano! Tampouco porque montamos pinheirinhos multicores em nossas residências e escritórios, ou porque penduramos grossas meias em janelas e, pasmo, lareiras!
Esse tipo de insanidade coletiva decorre do mito de que o “bom velhinho” habita o Pólo Norte, terra do gelo (pelo menos antes das mudanças climáticas) e de um eterno e inconsciente desejo de ser o outro.
Ainda mais insano que isso, porém, é a sanha consumista. A corrida maluca para ver quem gasta mais, quem carrega mais pacotes e sacolas, esbarra em mais pessoas, fecha mais cruzamentos, buzina mais alto e por mais tempo, enfim, quem é mais estúpido é o verdadeiro “espírito de natal”. Não vou dizer “espírito de porco” porque este, apesar de não ter culpa no cartório, já virou pernil.
Isso tudo combina muito com o tempo. Quando não está fazendo calor, esta chovendo e fazendo calor. Uma maravilha! É meleca para todos os gostos. E papai noel lá, literalmente suando a camisa e a densa barba para descolar um trocado.
E aí, no meio de tantas artificialidades, surgem os espíritos caridosos. Esses mesmos que ficaram o ano inteiro absorvidos pela premente necessidade de cuidar de suas próprias vidas, com especial zelo para uma parte fundamental do corpo humano chamada bolso. Tomados de um ímpeto cristão de irradiante caridade, estes seres tão iluminados se tocam que pessoas “carentes” não terão fartas ceias de natal. Que crianças “carentes” não receberão diversos brinquedos ultra modernosos.
Como se fosse diferente no restante do ano…




