
Saí de casa hoje cedo, como de costume, com a máquina fotográfica na mochila. Quando estava quase chegando ao ponto de ônibus o mesmo passou. O próximo só em 15 ou 20 minutos. Sentei no passeio, à sombra, do outro lado da rua e já ia pegar algo para ler quando chega um senhor negro e se põe a cantar, revirando uma pilha de sacolas plásticas de lixo amontoado na rua, aguardando o serviço de coleta.


Belo Horizonte, 20 de novembro de 2007 – Dia da Consciência Negra
Ele, por ele mesmo:
“Meu nome é José Divino dos Santos. Tenho 52 anos e tem 8 que vivo disso aqui.”
“Eles perguntam se sou aposentado. Se fosse ficava lá em casa, quietinho.”
“Trabalhava com obras. Depois que passei dos 40 não me deram trabalho mais.”
“Já tem 8 anos que vivo disso. Eles não dão nada para a gente. Se peço, acham ruim. Mas, jogam tudo fora. Inclusive coisas boas.”
Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência…




