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Não possuía os prazos

15 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Pôr do Sol na Comunidade de Pontinha

Comunidade de Pontinha, Paraopeba-MG, 16 de Setembro de 2007

De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp’ro não fantasêia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem prequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular idéia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio. Essas melancolias. O senhor vê: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira é barranco de chão, e água se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa água, ou desfaz o barranco, sobre cachoeira alguma? Viver é negócio muito perigoso…
(Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa)

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