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Papagaio com Congado

25 Dezembro, 2007 · Deixe um comentário

soltando papagaio

Papagaio parado, empoeirado no canto, há mais de dois anos.
Criança feliz quer vê-lo voar!
Subimos a Serra de Santa Helena, antevéspera de natal.
Lá chegando, surpresa!
Guarda de Congo a tocar/cantar!criança congadeira
Papagaio e Congado: sabor de infância…
É preciso fotografar, filmar, ainda que toscamente!
Êeeeh viva, viva!
Viva!
Sete Lagoas e sua gente…

vista parcial de sete lagoas

Congado:

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Diferentemente igual

17 Novembro, 2007 · 2 Comentários

“É preciso que tudo mude para que tudo permaneça como está”. Tomasi di Lampedusa que me perdoe, por citar assim, tão fora de contexto e com um outro sentido, sua clássica frase de “O Leopardo”, mas é deste modo que vejo Sete Lagoas pela janela de meu velho quarto, na casa de meus pais. Aliás, esta frase tem diversas traduções. Ou seja, até ela teve que mudar para continuar como sempre esteve.

Passados pouco mais de 14 anos e meio que fui para Belo Horizonte, muita coisa mudou por aqui. Mudou a cidade, mudaram as pessoas da cidade. Normal. Mas, meus sentimentos em relação a isso se mostram, há longa data, enormemente confusos e perturbadores, para dizer o mínimo.

sete lagoas
Sete Lagoas-MG, 06 de Abril de 2007

Já não me reconheço tanto em Sete Lagoas, senão por uma vaga lembrança. Suas periferias, hoje, são bem mais distantes, reflexo da expansão urbana. Mancha urbana maior, população maior, claro. O censo demográfico de 1991 informava um total de 144.014 habitantes, enquanto que o de 2000 já apontava para 184.871 e a recentíssima contagem da população, de 2007, acaba de contabilizar 217.506 habitantes, tornando-a a 12ª maior cidade mineira em número de habitantes e 116ª do Brasil. Embora isso não seja vantagem alguma, muito antes pelo contrário, ocorreu, portanto, um significativo crescimento demográfico de 64,46% neste período de 16 anos.

A péssima gestão da coisa pública, não obstante, ainda impera. Políticos corruptos, interessados em benefícios monetários pessoais e imediatos, desviam recursos de forma inescrupulosa e vil. Tudo como dantes.

A maioria de meus colegas de escola não mais conheço ou reconheço. Muito raramente cruzo com algum pelo centro comercial da cidade, mas a eterna timidez, associada a uma estratégica falta de memória para nomes (sim, pois quando faço trabalho de campo sou capaz de memorizar quase todos os nomes e sobrenomes) faz com que não me aproxime. Pelo contrário, tento mesmo é desviar do caminho na maioria das vezes. Sempre há aqueles que não fazemos questão de rever, e sei que a recíproca é verdadeira. Vez ou outra passo a vergonha e o constrangimento de ser abordado por algum e não conseguir lembrar não só do nome como de quando, como e porque o conheci. Andando pelas ruas noto que as pessoas de hoje são tão diferentes! Tem dia que não reconheço nenhuma.

Mas, o coração da cidade permanece, em grande medida, o mesmo do ponto de vista arquitetônico. Com exceção da estação ferroviária, que virou museu e sua linha uma grande avenida, e da região onde antes ficava o Sete Lagoas Tênis Clube, que chamávamos de “praça de esportes”, na qual hoje se encontra efetivamente uma grande praça, mas não mais de esportes, tudo permanece praticamente estático. Sete Lagoas é uma cidade que cresce pelas bordas, como deve ocorrer em outras tantas. Aliás, cresce por uma única borda, sentido oeste. É a nova marcha para o oeste. Mas, o cerne perdura, ou pelo menos se altera bem mais lentamente, o que não é ruim. Concordo com Halbwachs que os objetos e sua disposição proporcionam lembranças familiares, que a estabilidade é importante para o equilíbrio mental e que os grupos sociais mudam com uma velocidade bem maior que as cidades, na maior parte das vezes. Isso é importante para a sanidade mental de todos.

Meus amigos, aqui, ainda são os mesmos, como diria Belchior, inspirado nele mesmo. Os ídolos são outros, mas isso não vem ao caso. Alguns casaram, descasaram. Ou não. Alguns tiveram filhos, outros terão em breve. Quase todos permanecem diferentemente iguais, como a cidade. Nossos antigos costumes, como jogar futebol, baralho, sinuca, tudo regado a bastante cerveja e amizade, são para eles uma agradável rotina. Para mim, quase sempre uma vaga e saudosa lembrança. Pura nostalgia. Trabalham com dignidade e persistência, quase sempre em serviços braçais, pouco cerebrais, que lhes garante uma vida material simples, precisa, exata, sem abundância ou falta.

amigos
Sete Lagoas-MG, 06 de Abril de 2007

Em comum, hoje, temos o passado. E isso nos prende com a força que este passado teve e tem em nossas vidas. Somos amigos, irmãos. Apesar disso, nunca, isto mesmo, nunca, nesses pouco mais de 14 anos e meio, recebi uma visita sequer de um deles. Se vou a Sete Lagoas, porém, e deixo de encontrá-los, todos reclamam. Deixam, quando possível, outros compromissos para nos encontrarmos unicamente para contar os mesmos velhos e bons casos de sempre. Eles são o nosso elo. Além de, claro, as cervejas, de ontem e de hoje.

A probabilidade de que algum deles venha a ler estas tortas linhas é praticamente nula. O acesso à informática, e mais ainda à rede mundial de computadores, passa longe de seus horizontes. Consideram algo muito complexo, além de um luxo desnecessário.

E assim fico daqui, da janela de meu velho quarto, olhando as luzes da cidade e pensando no quanto tudo aqui está diferentemente igual.

pela janela
Sete Lagoas-MG, 17 de Novembro de 2007

 

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