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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró [09]

29 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

- Cala a boca, gordinho! – Insistia o soldado.

Já irritado, acabou mandando que o dito cujo bebum se dirigisse para a sua casa pela Juca Cândido e que Warley fosse para a sua através da Ouro Preto, paralela à outra. Bastante contrariado, Warley se pôs a andar lentamente, olhando para trás sempre, ocasiões em que o soldado, com um riso cínico no rosto, dizia:

- Anda logo, gordinho!

Passado algum tempo, que não sei precisar, a viatura policial ressurgiu tão rápida quanto da primeira vez. O Tenente mandou que Nivaldo descesse rapidamente, enquanto o soldado já entrava. Com a mesma rapidez, saíram novamente em direção à Ouro Preto, pela Quintino Bocaiúva, em disparada, com certeza para atender a algo que, talvez, merecesse realmente a atenção dos mesmos. Quanto a nós, estávamos livres para irmos embora, finalmente.

Nivaldo, agora um pouco menos alcoolizado, explicou que havia narrado o acontecido ao Delegado de plantão, mostrando seu ferimento. Por sua vez, o delegado mandou deixar o Cabo “de plantão” no xilindró até que seus ânimos se acalmassem, o que só deve ter ocorrido pelo meio da manhã que se aproximava cada vez mais.

Rimos um pouco e Djalma se dirigiu à sua casa, que ficava naquele mesmo quarteirão.

Sobramos Nivaldo, Russifrank e eu, uma vez que o soldado havia mandado Warley ir embora. Começamos a subir a Juca Cândido para fazermos o mesmo… A chuva havia aumentado sua intensidade e já estávamos bem molhados a esta altura. No entanto, a sensação de liberdade, após tanta tensão, era indescritível. Estávamos, literalmente, com a alma lavada…

Contudo, como a carne é fraca e a natureza humana vingativa, sem que dissemos nada uns aos outros, pegamos, cada qual, uma pedra de calçamento solto na rua, de frente à casa da corja de “bebuns” e, sem pestanejar, arremessamos, certeiramente, ao telhado daquela casa cujos moradores nos proporcionaram tão desagradáveis momentos.

O som do telhado se partindo soou como música em nossos ouvidos!

Corremos, sorrindo e molhados! Ao contrário do que disse Machado de Assim em um de seus contos, bem conosco mesmo e mal com os homens! Mas, nas nuvens…!!!

- Uoooouu!

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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró [08]

27 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

- Cala a boca e afasta as pernas!

Quando se certificaram que não estávamos armados, relaxaram e pediram para que explicássemos o que havia ocorrido. Narramos tudo com detalhes. Mostramos o ferimento de Nivaldo e Djalma confirmou que chegará à esquina e começara a apanhar sem nem mesmo saber por que, sendo que as pessoas eram todas suas vizinhas. Confirmou, também, que estavam todas muito bêbadas.

Tudo já ia ficar por isso mesmo, quando eis que surge na esquina um dos “brigões bebuns”. Embora não tivéssemos certeza, ao menos eu, dissemos que aquele fora o autor do ferimento em Nivaldo.

No entanto, o mesmo revelou ser policial reformado, para ser exato, um Cabo. Esperava obter favores dos dois soldados que ali estavam, mas como o terceiro, apesar de o mais jovens, era um tenente, o Cabo recebeu foi, isso sim, uma grande reprimenda pública e vexatória. Além disso, o tenente perguntou a Nivaldo se ele queria denunciar o Cabo, com o que ele rapidamente concordou.

Assim, o tenente mandou que todos ficássemos sentados no meio fio, sendo que a esta altura começava a chover bem timidamente, como uma garoa. Quanto a Nivaldo e o Cabo, os mesmos foram colocados na viatura policial, como “convidados” – ou seja, não foram no camburão – e encaminhados à Delegacia, que por sinal era de frente para a minha casa, na Rua Rui Barbosa, na sede do antigo Tiro de Guerra, conhecida como rua da Escola da CEMIG.

Aguardamos um bom tempo pelo desenrolar dos fatos, ansiosos por saber o que se passava com nosso amigo.

Como o soldado que nos vigiava era bastante tranqüilo, começamos a conversar animadamente, até mesmo rindo da situação. No entanto, apareceu um outro membro da quadrilha dos “brigões bebuns”, procurando pelo Cabo, e com o mesmo começamos a bater boca. O soldado não teve muito trabalho para controlar a situação, mas tanto o dito cujo quanto Warley não paravam de trocar farpas.

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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró [07]

26 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Então descemos a Juca Cândido até o seu final, virando a Paulo Frontin para o lado do Carroção. Nivaldo, ainda bastante agitado, jurava vingança. Procurava pelo chão algo, de preferência bastante pesado, que pudesse tacar em seus algozes, embora estes já houvessem desaparecido. Sua boca sangrava um pouco, através de uma ferida que se abrira por dentro.

Continuamos caminhando, passando de frente ao Carroção. Optamos por não entrar e seguimos, subindo a Ouro Preto. Nivaldo não se acalmava e continuava jurando vingança, bastante nervoso sempre. Seu amigo seguiu em frente, não sem antes lhe dar diversos conselhos para se acalmar e esquecer sua vingança, ao menos por hora.

Nem precisa dizer que em vão…

Na esquina de Quintino Bocaiúva Nivaldo resolveu virar rumo à Juca Cândido novamente, fechando o círculo no quarteirão. Tentamos fazer com que ele mudasse de idéia, mas acabamos concordando, afinal os “bebuns” já havia desaparecido mesmo…

Ao chegarmos à tão famigerada esquina, eis que nos encontramos com Djalma, o azarado que apanhou pra valer e possibilitou nossa fuga. Disse que entendia menos ainda a situação porque todos que lhe bateram eram seus amigos e vizinhos, reportando o fato à ação do “delirius alcoolicus”, como não poderia deixar de ser.

Conversávamos amistosamente, parados na esquina, a mesma da desgraça que acontecerá havia já uns 30 minutos, no mínimo, quando os sempre eficientes e prestativos policiais militares apareceram, a mil, em uma viatura com três homens.

E aí está o duplo azar da noite, na mesma esquina ou encruzilhada, como preferem os superticiosos…

Desceram do carro com a agilidade que lhes é própria e foram logo gritando, com a delicadeza que também lhes é bastante peculiar:

- Mãos na cabeça! Todos encostados na grade!

Obedecemos de pronto. Mesmo assim, tomamos tapas nas costas, na cabeça e chutes nas canelas. Eu, em especial, tomei um tapão nas costas, com uma ordem para calar minha boca e abrir minhas pernas para, como se diz na linguagem das ruas, “tomar uma batida”. Falava justamente sobre isso, pois julgava que estava com as pernas abertas, quando na verdade estas estavam apenas distantes da grade, enquanto minhas mãos se apoiavam naquela. Por fim, para abri-las, tomei um forte chute na canela, sem direito a reclamação.

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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró [06]

26 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Por outro lado, eu, que tanto gritara para que se acalmassem, que sempre mantinha a calma em situações difíceis, também não respondia por meus atos após “estourar” minha paciência. E, não sei se felizmente ou infelizmente, isso acabara de acontecer.

Assim, comecei logo a gritar que não iriam bater em Nivaldo à toa, e, magro e fraco como era, pus-me a bater em todos aqueles que queriam, ou que estavam batendo em meu amigo, o que não era tarefa tão difícil devido ao estado de todos. Empurrei um velho para um lado, chutei um jovem para o outro, dei um vôo com os dois pés nas costas de outro jovem que preparava-se para chutar Nivaldo, neste momento caído no chão e sendo levantado por Warley, e ainda dei um soco em um quarto. Não sei como nem porque fiz tudo aquilo, mas quando percebi já não tinha mais controle sobre meus próprios atos, nem mesmo sobre meu pensamento. Nós, os seres humanos, muitas vezes nos deixamos levar por instintos que brotam do mais fundo de nosso íntimo e que nem imaginávamos que lá estivessem.

O fato é que todos se surpreenderam com minha atitude, o que fez com que parassem de bater em Nivaldo. Porém, creio que não fosse o aparecimento de um dos mais azarados da história, teríamos todos que começar a brigar sem nem mesmo saber o motivo, pois, certamente, se eles quisessem me bater, Warley não só soltaria Nivaldo, como também começaria a distribuir pancadas com seus fortes braços e pernas. Ocorre que, para seu completo e absoluto azar, apareceu um tal de Djalma bem ali, na esquina de Juca Cândido com Quintino Bocaiúva, vindo por esta última, e todos os afetados pelo “delirius alcoolicus” viraram-se contra ele e o espancaram até que ele ficasse deitado no chão.

Enquanto isso, Russifrank já chegara e, com bastante sacrifício, conseguimos arrastar Nivaldo para longe dali, aproveitando aquele breve momento de distração daqueles “malditos bebuns”. Estávamos próximos do Carroção, mas nossa vontade de beber já havia passado. Naquele momento, tudo que queríamos era conter Nivaldo e sua fúria chorosa.

Em meio à confusão, Warley, que teve seu bolso da camisa rasgado por Nivaldo, perdera sua caneta de metal com o nome gravado, tão valiosa para ele, sendo que Nivaldo havia perdido seu relógio.

Como encontráramos com um amigo particular de Nivaldo e este já estava menos nervoso, distante da confusão, Warley voltou bem próximo àquela para procurar sua caneta e o relógio. Não encontrou sua caneta, mas voltou com o relógio perdido – que teve sua pulseira arrebentada, provavelmente por um de nós mesmo, na tentativa de conter os ânimos de seu dono – e com a informação de que os “bebuns” já haviam desaparecido no nada, tal qual apareceram.

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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró [05]

24 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

De repente, sem saber como ou por que, apareceram, vindos da citada festa que ficara para trás, do outro lado da rua, cerca de umas oito a doze pessoas, todos homens, correndo em nossa direção. Não entendíamos o que estava acontecendo, seja porque não demos maior atenção ao fato, seja porque nem mesmo tivemos tempo para pensar a respeito.

Russifrank ainda estava distante quando estes homens, alguns jovens, outros nem tanto, aproximaram-se de nós ainda correndo e gritando coisas sem sentido, como:

- Vocês não vão bater nele!

- Seus covardes!

- Largue ele em paz!

- Eu vou bater “nocês”!

Ainda perplexos pelo desenrolar deste fato que, diga-se de passagem, até hoje não entendemos por que aconteceu, começamos a ser empurrados e xingados por aqueles homens. Alguns conhecíamos de vista, outros nem isso.

Tudo aconteceu numa fração de segundos. Eu tentava acalmá-los, sem muito sucesso. Enquanto isso, Nivaldo, que são já não era muito afeito a levar desaforos para casa, como disse, sendo estimulado pelo álcool começou a responder aos insultos que se intensificavam.

Visando evitar maiores problemas, Warley tratou logo de segurar o agitado Nivaldo, enquanto eu ainda tentava acalmar aqueles homens que, neste momento já havíamos percebido – Warley e eu, porque Nivaldo não tinha condições de perceber nem mesmo o que dizia –, estavam completamente alcoolizados, alguns cambaleando sobre suas próprias pernas, outros enrolando a língua e outros, ainda, com os olhos vermelhos e o bafo insuportável.

Nivaldo tanto falou, que de nada adiantou Warley segurá-lo e eu tentar acalmar àquelas vítimas do “dilirius alcoolicus”. E, tudo muito rápido, quanto percebi, dois dos mais velhos do grupo delirante, estes já de cabeça grisalha, puseram-se a bater, com socos e pontapés, em Nivaldo, ao que foram imediatamente seguidos pelos mais jovens.

Neste momento, Warley teve que empregar toda a sua força para conseguir segurar Nivaldo, que devido aos golpes, começara a chorar e espernear de raiva. Quando ficava assim, eram preciso dois ou mais para contê-lo, e isso só foi possível, ainda que parcialmente, porque Warley realmente valia por dois.

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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró [04]

23 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Éder, sempre firme em suas convicções – principalmente quanto o assunto lhe interessava diretamente, ou, como no caso em questão, tratava-se de dormir, disse que iria realmente para casa. Nivaldo, pelo mesmo modo, não admitia mudar de opinião – o que se acentuava quanto sob efeito do álcool. Warley e eu, que apesar de termos posições sempre convictas – principalmente ele –, pela mesma forma, mas que não éramos tão intransigentes, reconsideramos nossa posição. Afinal, Nivaldo não estava em condições de ir a lugar algum sozinho. Além disso, a idéia de tomar mais cervejas nunca nos desagradou!

Assim resolvido, Éder dirigiu-se para casa; Nivaldo, Warley e eu, para o outrora famoso e movimentado Carroção, que naquela época já encontrava-se jogado às moscas, juntando forças para fechar as portas, como ocorreu tempos mais tarde.

Descíamos a Juca Cândido tranqüilamente, passando em frente àquela hora já fechada Pizzaria Terraço e logo após aos fundos do Estádio José Duarte de Paiva, do Democrata, que nesta época ainda representava Sete Lagoas no Campeonato Mineiro da primeira divisão. Seguíamos tranqüilos, rindo e conversando como sempre, pelo passeio do estádio. Do outro lado da rua, vinham sons de uma festa que parecia animada e se realizava numa casa entre as esquinas das ruas América e Quintino Bocaiúva.

Naqueles idos tínhamos diversos códigos, jargões e brincadeiras entre aqueles que considerávamos da nossa turma. O que fazia mais sucesso naquele momento era um grito:

- Uoooouu!!!

Costumávamos usá-lo, dentre outras coisas, para chamarmos uns aos outros quando estávamos a certa distância.

E assim se fez. Russifrank, que já havia deixado a sua garota por uma noite em casa, também estava descendo a Juca Cândido, a cerca de dois quarteirões de onde nos encontrávamos. Deste modo, ele estava próximo à Pizzaria Terraço, enquanto nos encontrávamos já próximos da esquina de Quintino Bocaiúva, ainda nos fundos do estádio.

- Uoooouu!, tratou logo de gritar.

- Uoooouu!, respondemos, por nossa vez, ao avistá-lo ao longe.

- Uoooouu!, retornou confirmando sua aproximação.

- Uoooouu!, informamos que já estávamos esperando-o.

Tudo bem que a lua já ia alta, mas…

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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindro [03]

22 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Russifrank, que sempre foi mais atirado, conseguiu “ficar” com uma garota. Não era lá muito bonita, mas ele nunca fez muita questão destes “pequenos” detalhes. Lá pelas tantas, aproximou-se de onde estávamos e disse que iria levar a garota em casa.

Continuamos degustando as cervejas e rindo bastante. Neste momento, Nivaldo já começava a se destacar pelo excesso do álcool. Ele, que sempre fora meio maluco em seus pontos de vistas e colocações, mas principalmente em suas atitudes sempre repentinas e insólitas, já começava a falar asneiras além da conta, com sua língua ainda mais presa do que era normalmente.

Assim, antes que ele falasse o que não devia, o que também se justificava pelo adiantado da hora e pelo fim das cervejas, nos propusemos a ir embora.

Já fora da casa onde se realizava a festa, começamos a discutir sobre o que deveríamos fazer: irmos embora, cada qual para sua casa, ou procurarmos algum boteco aberto para continuarmos bebendo. Esse era o nosso “drama” naquele momento. Porém, como Russifrank já não se encontrava, pois estava levando sua garota por uma noite em casa, e Éder se pronunciara extremamente convicto de que iria para casa, Warley e eu optamos, também, por irmos todos para casa; afinal, era madrugada de sábado, dia em que costumávamos ter até tripla jornada esportiva: pela manhã, peladinha na sede do coral, na José Duarte de Paiva, próximo ao Democrata; à tarde, outra peladinha na chamada rua da casa de Lincoln – outro amigo, igualmente da turma, que, como outros, não fora àquela festa –, antiga Travessa da Peroba, de onde subíamos todos para a peladinha na quadra do colégio Dr. Márcio Paulino. Portanto, nada mais justo que um bom descanso para suportarmos esta tripla jornada esportiva que se iniciaria logo pelo meio da manhã que se aproximava. Além disso, depois de tudo isso, teríamos que sair no sábado à noite, como de costume, e no domingo tentar jogar pelo glorioso e tradicional time do Minas, do bairro Boa Vista. Todos tínhamos consciência disso, menos Nivaldo, que a esta altura já não tinha consciência de mais nada.

Argumentamos de todas as formas possíveis, mas não houve nada que o removesse deste seu propósito. Queria ir para algum bar, tomar mais cervejas.

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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró [02]

21 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Ana Paula, minha ex-namorada, havia me convidado – e aos meus amigos conseqüentemente – para participarmos de uma festa com vistas à arrecadação de fundos para sua formatura e de suas colegas de oitava série. Certos de que lá encontraríamos duas, das três coisas que mais amávamos, estávamos todos ansiosos pelo fim do “bendito” e interminável ensaio do Coral Dom Silvério, que deveria durar apenas até as 21 horas.

Findo o ensaio, nos encaminhamos para a festa, distante apenas 2 quarteirões da sede do coral. Fosse mais distante e, com certeza, não teríamos ido ao ensaio. Afinal, lá teríamos mulheres e cerveja, faltando apenas o futebol para completar nosso tripé das melhores coisas da vida.

Lá encontramos com Warley, ainda com o caderno debaixo do braço e a caneta de metal com seu nome gravado, que ganhara de presente, no bolso.

A festa correu em perfeita normalidade. Ou seja, tomamos bastante cerveja, jogando conversa fora e observando as garotas. Àquela época, todos nós bebíamos muito e tínhamos bastante resistência física para suportar os efeitos do álcool. Porém, duas pessoas haviam exagerado na dose naquele dia…

A primeira delas foi Ana Paula, minha ex, que de tanto beber perdeu a compostura, a direção de casa e o bom senso. Por outro lado, encontrou o caminho do banheiro, para onde teve que ir devido à chegada do “raul”. Como na maioria das vezes este tipo de excesso ficava por minha conta – embora nunca tenha chegado ao extremo de fazer efeito a ponto de correr para o banheiro ainda na festa – procurei ajudá-la. Assim, nos fechamos no banheiro e ela pôs-se a chamar o maldito “raul”. Como estava bastante são, tratei logo de “passar-lhe um sabão”, chamando sua atenção para aquele ato tão descabido – como se nunca houvesse bebido tanto! Tanto falei, que acabei escutando… Assim, acabei deixando-a a sós com Tereza, que Nivaldo, lembrando-se de algum desenho animado da época, gostava de chamar de “Tereza lata de lixo”. Mas, vejam só, este não é nem de longe um dos duplos azares da noite a que esta pequena narrativa pretende reportar…

A festa continuou normalmente. Tomamos mais cervejas, conversamos e rimos bastante, entre nós e com as garotas. Porém, não nos entrosamos muito bem com a maior parte delas. Acontece que estas estudavam no Colégio Regina Pacis, tradicional entre as famílias com mais recursos de Sete Lagoas, e por isso viviam de nariz em pé para nós, simples rapazes de periferia. Embora eu estudasse no Colégio Dom Silvério, ainda mais tradicional que o Regina, devido a uma bolsa de estudos, meus amigos ou estudavam em colégios menos tradicionais ou simplesmente não estudavam, como era o caso de Nivaldo, que havia abandonado os estudos ainda na sétima série. Porém, ficávamos contentes com nossa própria companhia e, claro, com a da cerveja…

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Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró [01]

20 Novembro, 2007 · Deixe um comentário

Nivaldo e o Cabo vão parar no Xilindró
- ou, de como se é duplamente azarado numa só noite
ou, ainda, do efeito do “delirius alcoolicus” -

Subíamos a Juca Cândido, sob a fina chuva fria, rindo do que acabáramos de viver. Nada melhor que, após momentos de extrema tensão, tudo termine bem e a apreensão seja extravasada em sonoras gargalhadas… De um extremo a outro em questão de minutos. Como o ser humano é vulnerável, na manifestação de seus sentimentos, aos acontecimentos que vivencia!

Tudo ocorrera numa noite de sexta-feira…

Já passavam das 21 horas e nada do ensaio terminar. Parecia que mais uma vez Cléber, nosso regente, adivinhara que estávamos apressados para uma festa – como se isso (o fato de irmos a uma festa ou algo semelhante após o ensaio) fosse alguma novidade.

Já estava tudo combinado. Iríamos Éder, Nivaldo, Russifrank e eu. Lá encontraríamos com Warley, vindo do Colégio Minas Gerais, na Boa Vista.

Éder sempre foi o mais bonitão de nossa turma. Moreno, cerca de 1,80m, cabelos pretos e lisos, partidos ao meio e um largo sorriso, embora sempre muito lento em suas atitudes. Nivaldo, por outro lado, apesar de mais alto que Éder, era bem magro, não aparentando a força física que tinha. Não era belo, mas, quando não estava em seus dias de crise, bastante alegre, contagiando todos à sua volta. A boca grande era a principal característica física de Russifrank, que também era chamado de “bocão”. Mas, também era bastante simpático e desinibido, o que o fazia ter sucesso com as mulheres, embora nem sempre bonitas. De todos, Warley sempre foi o mais forte. Ligeiramente gordo, esta característica também encobria sua força incomum para sua idade. Também era o mais alegre e sorridente sempre, companheiro para todos os momentos. Embora não me agrade, vejo-me na necessidade de fazer uma ligeira descrição a meu respeito, imprescindível para o futuro desta narrativa. Era magro, tímido e sem muita força física. Bastante sarcástico, costumava ser o mais ouvido da turma em diversas situações. Além disso, como todos os demais, não gostava de violência, embora, a bem da verdade, Nivaldo nunca tenha levado desaforos para casa…

 

P.S.: Este conto, baseado em fatos absurdamente reais, acontecidos há uns 17 anos, foi escrito no início de 2003. Até então, apenas os personagens aqui envolvidos o haviam lido. São 11 “páginas” e tentarei postar uma a cada dia.

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